domingo, 14 de abril de 2013

Erra uma vez... (Um pequeno conto digital) #e_conto4




Era um dia como outro qualquer,mas nenhum dia,nem um só dia é como outro qualquer,quando nem nós somos mais os mesmos.
Naquele dia, como outro qualquer, a névoa fina cobriu como um véu a cidade, como nunca havia feito antes...
Na praça, rumo à estação de ônibus, aquele senhor aparentando quase cem anos, caminhava com dificuldade, trajando um terno muito antiquado, sapatos tortos, fruto do peso das décadas que se debruçaram sobre suas costas. Alguém que viajara muito, sem nenhum tipo de máquina do tempo. Era um sobrevivente. Quantas mudanças presenciara; quantas perdas sentiu, pensei. E, mesmo assim, caminhava com dificuldade, mas com dignidade, amparado apenas pela bengala tosca e torta.
Quando me aproximei dele, para ajudá-lo a subir à calçada, eis que o nevoeiro se intensificou. Ao olhar fixo naqueles olhos marejados, tremi de surpresa. Eu segurava o braço de um jovem de apenas vinte anos, e tudo ao redor não era como eu conhecia... Senti-me como o menino que lia história do tempo do "era uma vez"...
Havia acontecido alguma estranha metamorfose, tanto no idoso como no local. Agora, eu que era observado por todos, por conta de meus trajes extravagantes, meu corte de cabelo diferente, meus sapatos ultramodernos para aquela gente... Eu precisava voltar ao meu tempo, mas o jovem sorrindo me disse: "− Calma, meu rapaz. Abra bem os olhos e aproveite a viagem. Na vida, às vezes, só se pode errar uma vez”. Estremeci de medo e cerrei os olhos.
Quando tornei a abri-los lentamente, por alguns segundos tudo parecia congelado. Ninguém se movia um milímetro sequer, apenas aquele Senhor que seguia seu caminho solitário, e que me foi solidário, querendo ser meu guia no dia em que preferi permanecer onde estava...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto acima, de minha autoria, escrito em 14/04/2013 e protegida pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, "Metamorphosis" de David Taggar, que encontrei na internet, no endereço abaixo:
https://www.facebook.com/1MillionArtists

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Lápis Mágico



Para incentivar o filho a escrever uma pequena história para a escola, o pai relembrou uma breve lenda familiar: o avô do menino também fizera o mesmo com o seu filho, procurando em suas quinquilharias um antigo e misterioso lápis mágico que passara de geração a geração. A missão era apenas, ao dormir, colocar aquele lápis em cima de uma folha em branco debaixo do travesseiro. No dia seguinte uma bela história estaria pronta. Dito e feito. Quando o menino do presente abriu os olhos, correu para ver a folha que continha uma bela história de um menino do passado e seu lápis mágico. Dali em diante, uma outra magia se criou, pois a criança, a cada noite, antes de adormecer, antecipava ao lápis e uma pequena história escrevia e se divertia, no dia seguinte, ao enganar o seu progenitor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto acima de minha autoria, escrito em 11/04/2013 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima 3D Drawing de Joaquim José Maio Cruz (Portugal), encontrada na internet, no endereço abaixo:
https://www.facebook.com/1MillionArtists/