quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Algum ritmo



O vizinho da esquina não sabia, mas era observado dia a dia pelo programador de computador, que tentava decifrar aquele algoritmo preciso, que fazia o velho senhor fazer tudo igual: acordava todos os dias a mesma hora, fazia sempre as mesmas coisas, sem mudar um milímetro sequer em sua rotina, com uma precisão assombrosa. Algum ritmo superior deveria possuir... Na tentativa frustrada de o mistério descobrir, tornou-se prisioneiro da mecânica daquela combinação matemática que tentara desvendar... Mas o programador nem desconfiava que era observado por um matemático do outro lado da rua, numa dízima periódica social...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Miniconto de minha autoria, escrito em 26/12/2012 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem antiga de minha autoria, feita com recortes de revistas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.

No balanço das horas



E a senhora idosa disse ao neto que tinha medo de morrer. E o menino, olhando para os olhos da avó, disse: Eu tenho muito medo é de não poder viver... Os dois, diante dos brinquedos da praça quase deserta, ficaram por alguns momentos a balançar suas recordações, idas e vindas, ao sabor do vento que assoprava seus nomes...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Miniconto de minha autoria, escrito em 26/12/2012 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem antiga de minha autoria, feita com recortes de revistas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Batedor



E o batedor seguia sozinho, batendo o seu tambor, enquanto o seu exército esperava na mata, para seguir em frente, diante de um assustador exército de árvores milenares... Amar é ser em parte esse pequeno batedor, e o tambor é o coração do amante, como um navegante, diante do mundo desconhecido, chamado Amor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto de minha autoria, escrito em 13/12/2012 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem antiga de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Ritual


Ali estava a mulher, atada ao altar, diante do sacerdote, aguardando que a adaga afiada extraísse seu coração, ainda pulsando, naquele estranho e insano ritual dos adoradores do Sol.

Séculos passaram, noutra espécie de altar, outra mulher, prostrada numa cama qualquer, aguarda por outra violência, perpetrada em nome do amor à Lua, num ritual profano de quem se vende por alguns tostões... Seu coração será mantido no peito, mas ali naquele leito, seu órgão vital será estripado sem deixar nenhum sinal...

E a mão do destino girou mais uma vez a ampulheta. Num local não identificado entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, um homem deitado sobre o leito aguarda pelo ritual mágico da entrega total entre ele a sua parceira, ambos adoradores um do outro, dois corações batendo como se fossem um só. O Sol e a Lua ficaram como coadjuvantes, enciumados por não terem sido convidados para aquele inesquecível ritual...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto acima, de minha autoria, escrito em 24/01/2012 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, copiada do endereço abaixo
http://olapidario.blogspot.com/2010/08/sacrificios-humanos.html