sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O relógio do viajante do tempo #e_conto3



Todas as portas estavam trancadas, menos aquela que eu jamais deveria ter entrado, sem antes isso tudo questionar... #e_conto3/1

Estaria de fato acordado, ou sonhando de olhos abertos, quando adentrei naquela casa sombria e naquele aposento tão iluminado? #e_conto3/2

Quando o silêncio não mais incomoda nem a ausência faz mais falta; quando o apego não mais lhe prende, o momento é de a vida reiniciar.#e_conto3/3

Quando o mundo não mais lhe apressa, sinal que outra coisa lhe interessa, e que o relógio do tempo sem fim começou, enfim, a despertar.#e_conto3/4

Naquela manhã cinzenta, ao abrir a porta, antes secreta, e entrar no quarto solar, nem imaginava que o meu futuro iria tanto mudar.#e_conto3/5

E eis que hoje acordo e passo a dar corda no relógio do viajante do tempo que herdei de meu pai, antes mesmo dele me encontrar... #e_conto3/6

Na verdade,meu pai também herdara de meu avô, que de meu bisavô o misterioso relógio escondido no fundo falso de um livro oco. #e_conto3/7

A primeira vez que vi aquele livro nas mãos de meu pai, ele me disse sério: Um dia ele será seu e estaremos sempre juntos noutra dimensão. #e_conto3/8

CONTINUA...

José Antonio Klaes Roig

#e_conto, escrito em tempo real e online, no Twitter às vezes de forma abreviada) e depois expandido e publicado neste blog (conto protegido pela lei de direitos autorais).

sábado, 1 de junho de 2013

A Prisão 001



Abriu os olhos, fechou a boca. O sol nasceu quadrado, gradeado como todos os últimos dias, desde então...Passou mais um dia andando em círculos, naquela cela 3 x 4, que impedia a geometria de seus movimentos, com a sua sombra a lhe assombrar... Quando o sol se pôs, abriu a boca e fechou os olhos... Mergulhou profundamente em si, sonhando que estava enfim liberto... Decerto, não queria mais acordar... Trancou a respiração...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto eletrônico, escrito em tempo real e online nas redes sociais, em 01/06/2013, protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, Grades da Prisão, Forte Marechal Luz, SFS, de Ricardo Pozzi, encontrada na internet, no endereço abaixo:
http://www.panoramio.com/photo/13919931

domingo, 14 de abril de 2013

Erra uma vez... (Um pequeno conto digital)



A névoa fina cobriu como um véu a cidade.
Na praça, rumo à estação de ônibus, aquele senhor aparentando quase cem anos, caminhava com dificuldade, trajando um terno muito antiquado, sapatos tortos, fruto do peso das décadas que se debruçaram sobre suas costas. Alguém que viajara muito, sem nenhum tipo de máquina do tempo. Era um sobrevivente. Quantas mudanças presenciara; quantas perdas sentiu, pensei. E, mesmo assim, caminhava com dificuldade, mas com dignidade, amparado apenas pela bengala tosca e torta.
Quando me aproximei dele, para ajudá-lo a subir à calçada, eis que o nevoeiro se intensificou. Ao olhar fixo naqueles olhos marejados, tremi de surpresa. Eu segurava o braço de um jovem de apenas vinte anos, e tudo ao redor não era como eu conhecia... Senti-me como o menino que lia história do tempo do "era uma vez"...
Havia acontecido alguma estranha metamorfose, tanto no idoso como no local. Agora, eu que era observado por todos, por conta de meus trajes extravagantes, meu corte de cabelo diferente, meus sapatos ultramodernos para aquela gente... Eu precisava voltar ao meu tempo, mas o jovem sorrindo me disse: "− Calma, meu rapaz. Abra bem os olhos e aproveite a viagem. Na vida, às vezes, só se pode errar uma vez”. Estremeci de medo e cerrei os olhos.
Quando tornei a abri-los lentamente, por alguns segundos tudo parecia congelado. Ninguém se movia um milímetro sequer, apenas aquele Senhor que seguia seu caminho solitário, e que me foi solidário, querendo ser meu guia no dia em que preferi permanecer onde estava...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto acima, de minha autoria, escrito em 14/04/2013 e protegida pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, "Metamorphosis" de David Taggar, que encontrei na internet, no endereço abaixo:
https://www.facebook.com/1MillionArtists

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Lápis Mágico



Para incentivar o filho a escrever uma pequena história para a escola, o pai relembrou uma breve lenda familiar: o avô do menino também fizera o mesmo com o seu filho, procurando em suas quinquilharias um antigo e misterioso lápis mágico que passara de geração a geração. A missão era apenas, ao dormir, colocar aquele lápis em cima de uma folha em branco debaixo do travesseiro. No dia seguinte uma bela história estaria pronta. Dito e feito. Quando o menino do presente abriu os olhos, correu para ver a folha que continha uma bela história de um menino do passado e seu lápis mágico. Dali em diante, uma outra magia se criou, pois a criança, a cada noite, antes de adormecer, antecipava ao lápis e uma pequena história escrevia e se divertia, no dia seguinte, ao enganar o seu progenitor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto acima de minha autoria, escrito em 11/04/2013 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima 3D Drawing de Joaquim José Maio Cruz (Portugal), encontrada na internet, no endereço abaixo:
https://www.facebook.com/1MillionArtists/

sexta-feira, 29 de março de 2013

A passagem secreta



A porta lacrada pelo tempo e reaberta pelo vento, fez o homem seguir aquele misterioso menino, surgido do nada, pelo corredor da memória. Lá no fundo uma gruta e um grotão... E o homem desapareceu no ar rarefeito, quando aquele menino viu seu reflexo na poça d'água, antes de refazer seu caminho, rumo àquele pesado portão, que represado pela história, interrompeu o tempo e a memória, até aquele dia sem igual...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto acima, de minha autoria, escrito em 29/03/2013 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem, fotografia de minha autoria, da janela da torre da Igreja Matriz de São José do Norte,RS, Brasil, nesta Sexta-Feira da Paixão.

sábado, 16 de março de 2013

A Última Peça




O dia amanheceu todo fragmentado naquela pequena cidade. Cada qual querendo se encaixar na nova realidade. A moça olhando as peças da casa vazias, vislumbrando o futuro, quando o silêncio foi interrompido pela campainha. Na porta da rua um moço solitário vindo de longe, apenas com uma peça de roupa, quando ela o convidou para entrar... Do outro lado da rua, um velho saudoso, que se auto-intitulava Dr. Destino, sorria sozinho, lembrando dos tempos de jovem, quando brincava de montar quebra-cabeças, vendo naquela última cena a última peça que lhe faltava para duas vidas completar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto acima de minha autoria, escrito em 16/03/2013 e protegido pela lei de direitos autorais. Observação 2: Imagem acima, encontrada na internet, no endereço abaixo: http://nilvamelhor.blogspot.com.br/2011/01/quebra-cabecas.html

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O Barco Fantasma



Quando o sol acordou, o casal amanheceu... Adormecidos sabe-se lá desde que dia, homem e mulher se viram em um pequeno barco no meio do nada de um oceano nada pacífico... Com o resto dos destroços d'algum naufrágio que não se lembravam ao certo, decerto (e de certo), no meio daquele deserto d'água, fizeram dois remos. Cada um passou a remar, cada qual em uma direção. Depois de muitas horas, andando em círculos, adormeceram... Quando chegou, enfim, o resgate, os marinheiros encontraram apenas um pequeno barco vazio, continuando em círculos e mais círculos, sem nenhuma explicação...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Microconto acima, escrito em 18/01/2013 e protegido pela lei de direitos autorais. Feito online e em tempo real no Facebook.
Observação 2: Imagem acima, extraída da internet, do endereço abaixo:
http://blog.educacaoadventista.org.br/ProfeAna/index.php?op=post&inicio=2&idcategoria=3